quarta-feira, 31 de outubro de 2012

decrescimento, economia, filosofia

Como estudante de filosofia que já fui, sempre me interessei pelos grandes temas como a origem do pensamento religioso ou a epistemologia (palavrão que se refere ao estudo do conhecimento, o que é o conhecimento?, como se produz conhecimento? e como se justifica o conhecimento?). Mais tarde, como formador em diferentes áreas de conhecimento incluindo a formação pedagógica de formadores, fascinou-me a capacidade de explicar algo complexo de forma simples. Nos últimos quatro anos dediquei-me ao estudo da realidade complexa englobada nos conceitos de economia, crescimento, decrescimento, desenvolvimento, crise, globalização, fome, sustentabilidade, filosofia, demografia, ecossistema, entre outros.

Findas as grandes ideologias do século XX, a economia, assente no postulado do crescimento económico contínuo (produção > emprego > consumo > produção), invadiu o imaginário dos indivíduos, levando estes à crença na inevitabilidade deste modelo e na não existência de alternativas viáveis.

A crise actual que vivemos não é uma mera crise cíclica, mas o colapso de um modelo económico. A crise global é do capitalismo tout court. Pode-se qualificá-la como financeira apenas na medida em que é a presente forma de organização do capitalismo. É que o crescimento económico contínuo, esbarra na finitude dos recursos naturais, fruto de uma teoria económica/edeológica/cultural assente na ideia de uma economia desligada dos ecossistemas e que vê os efeitos adversos do crescimento (escassez de recursos, poluição, escravatura do trabalho, crise ambiental), como meras externalidades.

Para todos os efeitos, podemos falar de um totalitarismo do crescimento. Mas, a economia é cultural e ideológica. Mascarada frequentemente como ciência, a economia invade todo o nosso imaginário e condiciona todos os aspectos da nossa vida.
Por fim, e para não me alongar nesta introdução, inicio aqui a gloriosa tarefa de tentar simplificar o complexo, tentando criar, com a ajuda de outros, um quadro conceptual capaz de dar significado a uma nova mundividência.

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