quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Princípio da estranheza

Dotado de razão e algum bom senso, o cidadão comum percebe, começando por sentir, que há algo de estranho na ideia de que precisamos de gastar, consumir, deitar fora e comprar a um ritmo crescente para que a economia funcione e o emprego se mantenha. 

Há algo de estranho na ideia que serei mais feliz trabalhando mais horas, ganhando mais dinheiro, comprando casas que pagarei ao longo da vida e viajando nas férias para destinos cada vez mais longe. Há um excesso, um frenesim, uma desmesura. A desmesura caracteriza o sistema económico dominante. Já não é a procura que condiciona a oferta, mas a oferta que determina a procura. A isto chamo o princípio da estranheza. Esta estranheza é eficazmente combatida pelo marketing e pela publicidade, suportes a um consumo hiperbólico.

Se uma ideia vos parece estranha, talvez seja mesmo.

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