segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Crescimento sustentável: uma contradição nos termos

Vinha hoje a caminho de casa e ouvi o ministro Gaspar em conferência de imprensa anunciar a aprovação da troika para nova tranche de endividamento. Reti algo que nos deve preocupar a todos: prevê ele que em 2015 a dívida estará abaixo dos 120% do PIB. Aplicando o nosso princípio de estranheza, é de facto estranho ter um país sustentadamente falido.

Voltou o ministro a falar no crescimento (económico) sustentável. Crescimento sustentável é uma contradição nos termos. O crescimento económico baseia-se na produção excessiva de bens que alimenta um consumo crescente. Esta produção consome minerais, água, floresta, biodiversidade, solos. Produz desigualdades sociais, poluição e alterações climáticas graves. Deste modo não há crescimento que possa ser sustentável. As palavras não são inocentes: o crescimento económico no modelo vigente não é sustentável. Devemos, isso sim, promover modelos económicos e sociais que permitam o desenvolvimento humano, que pouco ou nada tem a ver com o PIB.
Mas será que nenhum economista anteviu a insustentabilidade deste modelo de crescimento? A resposta é sim. O problema reside no seu reduzido número e na dificuldade de passar estas noções para a opinião pública, embriagada nas últimas décadas numa espiral consumista a crédito. Felizmente que alguns economistas fizeram uso da sua razão crítica e filosófica (todos nós temos uma, lembro) e questionaram o modelo do crescimento contínuo num planeta de recursos limitados. Estas críticas são muito anteriores à crise actual iniciada em 2008. Voltarei a este assunto.

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