sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"Nascimentos em Portugal, uma catástrofe anunciada"

Este é o título de um texto publicado no Público online da autoria de Lígia Amâncio (psicóloga social e professora catedrática do ISCTE), cujo subtítulo diz "Nesta discussão ignora-se frequentemente uma cultura marcada pela hostilidade em relação à parentalidade e pela ausência de apoio à família, como se o assunto apenas a ela dissesse respeito."

O texto é interessante e faz uma análise menos comum aos factores adversos à paternidade em Portugal. Estes factores têm origem no Estado mas também em factores psicológicos e sociais.

O texto não nos explica, no entanto, porque é que a baixa natalidade em Portugal é uma "catástrofe" ou porque, como é dito no final, "[...] um país sem crianças é um país sem futuro".

Em notícias, comentários ou apresentações, a baixa natalidade e o envelhecimento da população é apresentado como um mal, mas raramente esse mal é identificado. Julgo ser o argumento principal o da falta de gente jovem, capaz de entrar no mercado de trabalho e ser contribuinte para uma segurança social pressionada pelas pensões de uma população envelhecida. Esta premissa é válida numa economia de mercado em crescimento mas que ignora os limites do planeta. Na actual conjuntura de crise, candidata a estrutura, os jovens não encontram trabalho e assim não passam a contribuintes. Assim é legítimo perguntar: mais crianças para quê?
A menos que o argumento seja o do perigo de extinção da espécie. Ou será o perigo de extinção dos portugueses?

Será que Portugal seria mais pobre e mais infeliz com 7 milhões de habitantes?

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